Governador cotado para a Fazenda defende equilíbrio fiscal sem cortes sociais

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), defendeu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busque o equilíbrio fiscal por meio do corte de privilégios e desperdícios, sem reduzir investimentos em programas sociais.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o petista afirmou que as medidas econômicas anunciadas durante a campanha são compatíveis com o orçamento e poderão ser executadas ao longo dos próximos quatro anos.

Cotado para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula, Fonteles teve participação na coordenação da campanha presidencial durante o segundo turno e foi um dos aliados que contribuíram para a articulação política da virada eleitoral contra Flávio Bolsonaro (PL).

Reeleito no primeiro turno com 71% dos votos no Piauí, Fonteles comandou o estado que registrou a maior votação proporcional para Lula no país. O presidente recebeu 70,99% dos votos válidos piauienses no primeiro turno e 75,88% no segundo.

Apesar das especulações sobre uma possível participação no governo federal, o governador afirmou que não conversou com Lula sobre cargos ou responsabilidades na equipe econômica.

Fonteles descarta deixar governo do Piauí

Fonteles afirmou que pretende cumprir o novo mandato e trabalhar para superar os resultados de sua primeira gestão. O governador disse que sequer chegou a considerar a possibilidade de assumir um cargo no governo federal.

“Eu estou preparado para tomar posse, ser diplomado. Vou tomar posse, vou querer fazer um governo muito melhor do que o primeiro que eu fiz”, declarou.

O governador eleito no Piauí também negou ter recebido qualquer convite de Lula para participar da equipe econômica ou de discussões sobre a política fiscal do próximo mandato. Ele atribuiu sua aproximação com o presidente à participação na campanha do segundo turno.

“Eu não conversei nada com o presidente sobre cargo e não falei sobre qualquer coisa relacionada à política econômica. Nunca aconteceu na história de um governador recém-eleito ser chamado para qualquer missão”, afirmou.

Governador defende equilíbrio fiscal sem cortes sociais

Ao comentar os desafios da economia brasileira, Fonteles afirmou que a trajetória da dívida pública precisa ser sustentável para permitir a redução dos juros e estimular o crescimento econômico.

O governador disse preferir a expressão “equilíbrio fiscal” em vez de ajuste fiscal, por considerar que existem diferentes caminhos para alcançar o objetivo. Entre as alternativas, citou a redução de privilégios e desperdícios na administração pública.

“Isso envolve corte de privilégios e de desperdício e não vai envolver, com o presidente Lula, qualquer prejuízo social, qualquer corte em programas sociais que ele já constituiu e com que se comprometeu novamente na campanha eleitoral”, declarou.

Medidas anunciadas por Lula são consideradas viáveis

Fonteles também defendeu a viabilidade das propostas apresentadas por Lula durante a campanha eleitoral. Entre elas, citou o Pé-de-Meia Universitário, a tarifa zero nos fins de semana e o programa Prospera MEI.

Segundo o governador, as iniciativas foram discutidas previamente com a equipe econômica e planejadas dentro das possibilidades orçamentárias do governo federal.

“Tudo que foi proposto foi conversado com a equipe econômica, o presidente sempre tomou essa iniciativa. Não foi nada de supetão”, afirmou.

Ele acrescentou que as propostas tiveram participação dos ministros responsáveis pela área econômica e podem ser executadas dentro do arcabouço fiscal ao longo dos quatro anos de mandato.

Fonteles critica Flávio Bolsonaro

O governador também comentou a postura do senador Flávio Bolsonaro (PL) após o resultado das eleições. Ele criticou a saída do parlamentar do Brasil e a divulgação de uma carta em que se autodeclarou presidente eleito.

Para Fonteles, a iniciativa não produz efeitos concretos, mas não representa o enfraquecimento do movimento bolsonarista, que, na avaliação do governador, continua politicamente forte.

Com informações do Estadão