Militares avaliam atuação das Forças Armadas contra facções em eventual governo Flávio

As Forças Armadas podem ter participação ampliada em ações de combate ao crime organizado caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente. A avaliação é feita por generais do Exército em reuniões internas e foi publicada pela coluna de Cézar Feitoza, do UOL, nesta quinta-feira (8).

De acordo com a coluna, oficiais-generais têm acompanhado propostas e declarações de Flávio e de aliados sobre segurança pública. O tema também é considerado nas análises de conjuntura do Alto Comando do Exército, que busca antecipar possíveis cenários para a atuação militar em um eventual novo governo.

A participação das Forças Armadas no combate ao crime já é discutida internamente há cerca de dois anos. Segundo a publicação, uma das possibilidades defendidas por integrantes da cúpula do Exército é ampliar o apoio às forças de segurança por meio de inteligência, equipamentos e ações de cooperação, sem necessariamente manter tropas nas ruas.

Fronteiras estão entre as principais preocupações
O tráfico internacional de drogas é um dos pontos acompanhados pelo Centro de Inteligência do Exército. Levantamentos apresentados ao Alto Comando apontam que a cocaína produzida em países como Bolívia, Colômbia e Peru utiliza o território brasileiro como rota antes de chegar a outros mercados.

A extensa faixa de fronteira brasileira, com mais de 16 mil quilômetros, é considerada um dos principais desafios para a fiscalização. Nesse cenário, os militares avaliam que a integração entre diferentes órgãos de segurança pode ampliar a capacidade de combate ao tráfico.

A proposta de governo de Flávio menciona a criação de um “Sistema Nacional de Fronteira” e prevê o uso de recursos de inteligência, tecnologia e equipamentos das Forças Armadas para reforçar a fiscalização.

A coluna também relata que a intervenção federal no Rio de Janeiro, em 2018, é considerada pelos militares um exemplo dos limites de operações sem continuidade. Na avaliação dos oficiais ouvidos, a ação produziu resultados durante sua execução, mas parte dos problemas voltou a ocorrer após o encerramento da intervenção.

Militares analisam relação com os EUA
Uma eventual aproximação entre Brasil e Estados Unidos também está entre os cenários avaliados pelos generais. Segundo Cézar Feitoza, a cooperação entre os dois países na área militar continuou mesmo durante os períodos de tensão entre os governos de Lula e Donald Trump.

Um dos cenários considerados pelos militares é a realização de operações coordenadas na região de fronteira. Nesse modelo, o comando permaneceria com as Forças Armadas brasileiras, enquanto os Estados Unidos poderiam oferecer apoio, em formato semelhante ao adotado em exercícios conjuntos.

A possibilidade de instalação de uma base militar americana no Brasil é tratada de maneira diferente. Segundo a coluna, oficiais-generais demonstram preocupação com esse cenário e relacionam a hipótese a discussões semelhantes envolvendo a presença militar dos Estados Unidos na Colômbia.

As avaliações relatadas pela coluna fazem parte de análises internas de conjuntura e não representam uma decisão sobre o emprego das Forças Armadas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.