O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) conseguiu uma nova condenação no âmbito da Operação Plata, investigação que apurou um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. A decisão da Unidade Judiciária de Delitos de Organizações Criminosas (UJUDOCrim) condenou seis réus envolvidos na ocultação e dissimulação de recursos.
Entre os condenados está Geraldo dos Santos Filho, conhecido como Pastor Júnior, que passou a acumular uma pena próxima de 100 anos de reclusão após a nova sentença.
Segundo o MPRN, Geraldo dos Santos Filho e o irmão dele, Valdeci Alves dos Santos, eram responsáveis por coordenar a movimentação de bens e utilizar familiares como intermediários na compra e transferência de imóveis com o objetivo de esconder valores provenientes do tráfico de drogas.
De acordo com as investigações, o grupo teria usado imóveis, fazendas, veículos, empresas e igrejas evangélicas para ocultar a origem dos recursos. O MPRN aponta ainda que Geraldo e a esposa teriam criado ao menos sete igrejas no Rio Grande do Norte e em São Paulo, algumas delas alvo de buscas durante a operação.
A decisão judicial também determinou a perda de bens, direitos e valores relacionados aos condenados em favor da União, além da venda antecipada de bens apreendidos durante a investigação para evitar perda de valor. Os réus poderão recorrer em liberdade.
Condenações
Nesta nova sentença, Geraldo dos Santos Filho foi condenado por nove atos de lavagem de dinheiro a 6 anos, 9 meses e 20 dias de prisão, em regime fechado. Somadas às condenações anteriores, a pena acumulada chega a 98 anos, 1 mês e 25 dias de reclusão.
Valdeci Alves recebeu condenação de 6 anos, 9 meses e 20 dias de prisão por sete atos de lavagem de capitais. Com as penas anteriores, ele acumula 31 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão.
Outros quatro réus também foram condenados. Jefferson Santos da Silva recebeu pena de 6 anos de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa, em regime semiaberto. Francisca Neta dos Santos foi condenada a 4 anos e 9 meses de reclusão pelos crimes de lavagem de capitais e associação criminosa.
Roberto dos Santos e Érica Cristina da Silva foram condenados a 3 anos e 6 meses de prisão cada um por lavagem de dinheiro. Nos dois casos, a pena foi substituída por medidas restritivas de direitos. Érica foi absolvida da acusação de associação criminosa.
Já Aline da Silva Alves França, Jean Carlos da Silva Santos, Ingrid Daniely Vale dos Santos e Matheus Viana Alves dos Santos foram absolvidos das acusações apresentadas na denúncia.
Operação Plata
Deflagrada pelo MPRN, a Operação Plata investigou um esquema de ocultação de recursos relacionados ao tráfico de drogas e a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações apontaram que o grupo utilizava uma rede de pessoas e operações financeiras para dificultar o rastreamento do dinheiro, incluindo depósitos fracionados e distribuição de valores em espécie.
O processo reuniu provas como relatórios patrimoniais, informações obtidas por meio de quebras de sigilos bancário e fiscal, interceptações telefônicas e materiais apreendidos durante as diligências.
