Hugo Motta demonstra incômodo após Lula declarar apoio a adversário de seu pai na Paraíba

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem manifestado a aliados insatisfação com a relação mantida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de seguir colaborando com a tramitação de projetos de interesse do governo no Congresso. Segundo apuração do jornal O Globo, o principal motivo da chateação foi a divulgação, em junho, de um vídeo em que Lula declara apoio à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo, adversário de Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Motta, na disputa por uma vaga ao Senado pela Paraíba.

De acordo com interlocutores do presidente da Câmara, Motta considerou inadequado o momento da manifestação pública de Lula, especialmente por ocorrer antes do início oficial da campanha eleitoral. Ainda assim, aliados do deputado afirmam que não há intenção de romper com o Palácio do Planalto. Integrantes do governo reconhecem o incômodo, mas avaliam que a situação é pontual e não compromete a articulação política entre Executivo e Legislativo.

Mesmo insatisfeito, Motta tem atuado para destravar matérias prioritárias para o governo, como a proposta que extingue a jornada de trabalho 6×1, além de negociar projetos de impacto fiscal, como a renegociação das dívidas rurais. Em contrapartida, também autorizou o avanço da proposta de redução da maioridade penal na Câmara, pauta defendida pela oposição e vista com preocupação pelo Planalto. Aliados do parlamentar negam que a decisão represente retaliação ao governo e afirmam que a medida atende à pressão da maioria dos deputados.

Outro fator de desgaste é a insatisfação de Motta com indicações para cargos e tribunais. O presidente da Câmara apoiava a desembargadora Herminegilda Leite Machado para uma vaga no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas Lula indicou o desembargador Sergio Torres Teixeira. Segundo interlocutores, o deputado também cobra maior espaço em nomeações para o Judiciário e na estrutura do governo federal.

Apesar das divergências, o governo mantém em Motta seu principal interlocutor no Congresso, especialmente diante do distanciamento na relação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Integrantes do Planalto afirmam que as negociações com o comando da Câmara seguem ocorrendo de forma frequente, com reuniões semanais entre o deputado, ministros e líderes do governo para discutir a tramitação de propostas consideradas estratégicas.

Com informações do jornal O Globo