A intensificação da guerra no Oriente Médio levou o preço do petróleo — matéria-prima essencial para a produção de combustíveis — à maior alta em quatro anos, ultrapassando US$ 100 por barril.
O conflito afeta países e rotas estratégicas de produção e transporte de petróleo e gás, e o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais vias de escoamento da commodity, aumentou o temor de restrições na oferta global e de produtos derivados.
Apesar da alta histórica do petróleo, os preços dos combustíveis no Brasil continuam abaixo do mercado internacional. Isso ocorre porque a política da Petrobras suaviza oscilações externas no curto prazo, adiando o repasse aos consumidores.
O preço final dos combustíveis inclui impostos, adição obrigatória de biocombustíveis e custos de transporte, distribuição e revenda. Por isso, qualquer alteração nos valores vendidos às distribuidoras é feita oficialmente pela Petrobras. (Entenda como são calculados os preços dos combustíveis).
O último ajuste da gasolina ocorreu em janeiro de 2026, com redução de R$ 0,14 por litro (queda de 5,2%), para cerca de R$ 2,57 nas refinarias. Já o diesel teve seu último reajuste em 6 de maio de 2025, quando caiu R$ 0,16 por litro, para aproximadamente R$ 3,27.
Nesta segunda-feira (9), a mudança na política de preços ajudou a reduzir os impactos imediatos de crises externas sobre os combustíveis.
Assim, variações rápidas no preço do petróleo não são repassadas imediatamente à gasolina ou ao diesel, evitando aumentos bruscos para os consumidores.
Apesar de adiar parte dos repasses, analistas alertam que a estratégia tem limites.
Quando a diferença entre os preços internos e internacionais cresce, surgem dúvidas sobre os impactos da política de preços nos resultados da Petrobras e na arrecadação do governo, já que os dividendos da estatal têm peso importante nas contas públicas. (Veja mais aqui)
Segundo os especialistas consultados, a Petrobras tem mantido postura cautelosa em relação aos combustíveis durante a guerra e deve esperar a estabilização dos preços em níveis elevados antes de repassar a volatilidade ao mercado interno.
