O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua esposa, Michelle, acionaram a Justiça contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para pedir uma representação após a Presidência da República encontrar 261 bens do patrimônio do Palácio da Alvorada que estavam desaparecidos.
Na ação, que tramita no Juizado Especial Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Bolsonaro e Michelle pedem uma indenização de R$ 20 mil que deve ser direcionada ao Instituto Carinho, que acolheu crianças em situação vulnerável na capital federal.
O juiz responsável pelo caso já marcou uma audiência de conciliação para o dia 6 de junho, que será realizada de forma virtual.
No pedido, os advogados do casal Bolsonaro dizem que a representação deve ser “na mesma proporção do dano que cometeu: a) através da coletiva de imprensa oficial no Palácio da Alvorada, b) apresentar o veículo de comunicação GloboNews, e, c) nos canais oficiais de comunicação do governo federal”.
“O fato é que parcela do povo brasileiro foi influenciada pela propagação enganosa proferida pelo réu, acreditando que os autores ‘furtaram’ os móveis do Palácio da Alvorada por mera liberalidade e intenção danosa, o que não é verdade, como já narrado e comprovado na documentação anexa”, diz a petição.
Segundo a equipe jurídica do ex-presidente, Lula “se utilizou deliberadamente dos veículos de comunicação e de inverdades fáticas para imputar aos Autores atos crimes inexistentes”.
A informação de que 261 peças foram descobertas pela Folha e confirmadas pela GLOBO. No início de 2023, a Presidência já havia localizado 83 móveis. Em janeiro daquele ano, o presidente Lula, durante um café da manhã com jornalistas, sugeriu que as peças teriam sido levadas por Bolsonaro.
Em uma entrevista dada à GloboNews em 18 de janeiro de 2023, Lula ainda disse que “não tem nada, não tem nada”, referindo-se aos móveis do Alvorada. “É muita coisa estragada, a impressão que se dá é que não tinha limpeza naquilo lá. Essa é a impressão que se dá”, afirmou o presidente à emissora.
Na primeira semana de governo do presidente Lula, a primeira-dama Janja abriu as portas do palácio e mostrou infiltrações, janelas quebradas e casos de má-conservação do patrimônio presidencial. Entre os problemas identificados pela nova gestão, houve também o desaparecimento de algumas peças do mobiliário.
No ano passado, a Presidência também afirmou que novos móveis seriam adquiridos, por conta da ausência de alguns itens e do mau estado de conservação de outros. O governo federal gastou R$ 196.770 com seis peças de móveis para a decoração da suíte presidencial do palácio do Alvorada. Parte das compras — uma cama, dois sofás e duas poltronas — foram feitas em uma loja de decoração em Brasília, com um colchão “king size” sendo adquirido em outra loja.
O Globo
